O nobre homem, aquele que tanto lutou com o monstro que vive em seu interior, o passado, hoje não se sente mais digno de tais condecorações, pois esse tal nobre, há algum tempo, descobriu que por muito tempo lutou em vão, que muitas dessas cicatrizes que ele carrega em seu corpo, de nada lhe valeram.
Hoje ele se culpa, culpa o próprio passado, como pôde ter vivido tanto tempo em vão? Não que tenha sido tudo em vão, mas as conquistas foram tão poucas, se comparadas a tantas outras coisas que ele perdeu. Há dias o nobre homem se faz a mesma pergunta, tentando obter uma outra resposta. "Pelo que mesmo eu lutei?"
Pobre homem, pudera ter descoberto tudo isso antes, antes de ter perdido tudo o que realmente o mantinha de pé e ele simplesmente não enxergava, ele apenas usou aquilo, mas em momento algum foi sábio o bastante pra enxergar. Mas no fundo ele sabe que lutou pelo mais nobre dos sentimentos, o amor, o mais forte, intenso e mais indecifrável dos sentimentos.
Porém o nobre, quero dizer, esse pobre homem, mais uma vez, fez uma escolha errada, ele lutou por um amor não correspondido, esse por sua vez era seu pior inimigo, que o pobre homem por muito tempo não enxergara.
E os dias se passavam o homem lutando com seu passado, dia-a-dia, tentando resgatá-lo, trazer de volta tudo aquilo que viveu intensamente, por tão pouco tempo.
Conforme os dias se passavam, mais e mais batalhas aconteciam, mais cicatrizes se acumulavam no corpo do pobre homem, ao mesmo tempo, ele recorria daquela força misteriosa que lhe mantinha em pé perante tamanho obstáculo. Aquela força misteriosa, que sem querer o fazia lutar mais e mais pelos motivos errados, e que na hora do descanso, tirava-o do sangrento campo de batalha e o levava para as nuvens.
Mas ele nunca enxergou isso, essa força, esse "querer bem", foi apenas usado, e nunca, nunca recompensado, pobre homem, crédulo, talvez mereça mesmo ser pra sempre castigado...
Hoje o homem não sangra mais, suas cicatrizes, enfim, tiveram o tempo necessário para se se fecharem, porém ele se encontra num lugar que talvez seja pior que aquele sangrento campo de batalha, num estado pior do que quando sua experiência vinha tratar de forma cruel, as cicatrizes que ele tinha adquirido em mais um dia de luta.
Esse pobre homem se encontrava nos campos do arrependimento, onde ao invés de frio e sangue, havia sol e calor, o homem não sentia mais a dor da batalha, mas sentia um conforto perturbador, onde ele não sabe de onde vem, nem de quem. Mal sabe ele, que não vem de ninguém, ele simplesmente está ali e sempre esteve ali, para acalmar e punir os cegos derrotados que não enxergaram o sentimento verdadeiro, condição que se encaixava esse que um dia foi um nobre homem.
"Onde está aquela força e aquela sensação boa que me mantinham de pé há um tempo atrás?" Se pergunta o homem, agora que percebeu seu erro, ele busca intensamente por aquilo que um dia lhe fez tanto bem, ele sabe que está perto, porém não consegue tocá-lo, mas ele não mede esforços mais uma vez, esse pobre homem ainda tem forças pra lutar, pois ainda carrega no peito a força de vontade de um nobre, essa que recuou no passado devido as brincadeiras maldosas daquele sentimento vago...
Sendo assim, ele se ergue mais uma vez a cada dia, para buscar para si, aquilo que tanto lhe faz bem, e como eu disse, está disposto a lutar, nem que pra isso, seja preciso que todas as suas cicatrizes voltem a sangrar, seja qual for o preço, ele está disposto a pagar.
Que mais infinitas lutas sejam travadas, que mais inúmeras cicatrizes sejam cravadas, mas que mais nenhuma lágrima de arrependimento seja derramada. Uma verdade não se pode negar, esse nobre homem, nasceu para amar...