terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Sou o que restou (viver sem sorrir não dá...)
Sou o que restou de uma vida de falsas alegrias, de forçadas lembranças;
Sou o que sou, mas sinto que nada de mim restou...
Sou o que restou das minhas lágrimas jogadas ao mar;
Sou o que restou dos meus gritos jogados ao vento...
Sou apenas isso, apenas o que restou, apenas o que sobrou;
Sou o que sobrou dos dias perdidos...
Sou as palavras das conversas ignoradas;
Sou apenas um olhar sem brilho que não enxerga nenhuma esperança...
Sou o sentimento ignorado;
Sou o sangue que escorre de um coração dilacerado...
Sou a personificação da descrença no amor;
Sou o ódio em pessoa, nada mais restou, tudo se foi e eu respiro o rancor...
Sou uma vida falsa e delirante;
Vivendo à sombra do que eu fui e fiz no passado...
Vivendo às custas das falsas memórias que me traziam inebriante felicidade;
O que hoje se tornou algo estranhamente sufocante...
Sou eu, perdido nos retratos do meu passado alegre;
Sou eu, o que restou daquele que recordava o passado entregue as lágrimas...
Sou eu, que acordei e vi que a vida não parou porém o meu mundo sim;
Sou o que sobrou de um desesperado que viveu à sombra do próprio passado...
Sou o que sobrou, um corpo jogado ao chão envolto em próprio sangue;
Sou o que sobrou, um rosto que ostenta o olhar sem brilho de uma vida torturante...
Sinto lágrimas do canto do olho escorrer, já não tenho motivos, porém não consigo conter;
Pergunto-me, é assim que daqui pra frente iria viver?
Se assim for, foi a decisão certa a se tomar;
Meu corpo jogado ao chão, o coração sangra e eu não me movo para estancar...
Desisto de viver nessa falsidade, contando apenas com o ódio pra me consolar;
Sou o que sobrou, como pode ver, nada restou...
Viver sem sorrir não dá...
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